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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Meu depoimento

Estavamos casados a 2 anos, planejamos a gravidez mas por iniciativa do meu marido, eu queria mas tinha muito medo. Quando descobri a gravidez a primeira coisa que pensei foi na responsabilidade de ser mãe, tive muito medo, mas com algumas semanas já comecei a gostar da ideia. Minha gravidez foi tranquila, estava muito feliz, e muito ansiosa pensando no nascimento. Ainda lembro da primeira ultrasson, chorei ao ouvir o coraçãozinho dele, estavamos muito felizes, eu, meu marido e minha família. Sempre fui muito ansiosa e na gravidez não foi diferente, fazia ultrassons todos os meses pra saber como meu bebê estava, e graças a Deus ele sempre estava bem. Cismei que queria parto normal, queria porque queria, mas infelizmente não deu, meu bebê com 39 semanas já pesava 4 quilos, e meu obstetra alertou que se eu insistisse no parto normal ele poderia deslocar o ombrinho, foi só então que desisti. Chegou o dia do nascimento, e eu estava mais feliz do que nunca, nem estava com medo da cirurgia, estava super tranquila. A primeira vez que vi meu bebê foi um momento mágico, ele era lindo. Pesquisei muito sobre a amamentação, vi que era o melhor para o bebê. No primeiro mês foi super tranquilo, porém eu não tinha muito leite e tive que recorrer ao leite industrializado, foi mais uma tristeza na minha vida, toda vida que ia dar a mamadeira chorava, me sentia a pior mãe do mundo, pra mim eu só seria uma boa mãe se amamentasse, hoje sei que ser uma boa mãe vai muito além disso. Mas na época não aceitava e continuei insistindo na amamentação junto com a fórmula infantil. Sabia que tinha alguma coisa errada comigo, eu chorava bastante, e não sentia a alegria de ser mãe como pensei que seria, me sentia feia, triste a pior mãe do mundo, mas não dizia a ninguém, tinha medo de rejeição, tenho um marido excelente, um filho maravilhoso, não tinha motivo pra ficar triste, mas estava. Comecei a ter muito medo de meu bebê morrer, achava que ele ia morrer a qualquer momento, até que um dia, quando meu bebê estava com 3 meses, tive uma psicose gritava que meu filho estava morto, foi então que meu marido me levou para uma clinica e aí diagnosticaram como psicose pós parto, é uma doença que atinge cerca de 5 em cada mil mulheres, e é muito mais grave que a depressão pós parto, comecei o tratamento com psiquiatra e psicoterapia, só que não aceitava o tratamento, não aceitava estar me tratando com uma psiquiatra então comecei a reduzir a medicação, pressionava meu marido a falar com a médica, e quando ele falava que eu estava bem ela dizia que podia reduzir a medicação, fui reduzindo aos poucos até que fiquei tomando só um remédio. Foi então que infelizmente tive uma nova crise, gritava que era Deus que eu tinha que salvar o meu filho. Na minha cabeça meu filho era Jesus Cristo, e que quando as pessoas descobrissem iam matar ele, não confiava nem em minha mãe e nem em meu marido, mas não dizia isso a ninguém. passei dias e dias com isso na cabeça, até que Deus tirou esses pensamentos da minha cabeça. Nos auges das crises eu queria me matar, quando passava a crise não queria, não sei o porquê disso, nunca tentei só pensava e graças a Deus não cometi suicídio. Retomei a medicação, e estou em tratamento a 9 meses. Aceitei o tratamento, vou tomar medicamento o tempo que for necessário, faço psicoterapia, e hoje graças a Deus estou bem. Só agora com o meu bebê com 1 ano estou vivendo a maternidade com muito amor, nunca tive vontade de machucar meu bebê (isso acontece em alguns casos), mas eu era muito infeliz com a maternidade. Mas hoje sou realizada com meu filho, não consigo imaginar minha vida sem ele, primeiramente agradeço a Deus por ter me dado forças pra vencer essa fase tão difícil na minha vida. Tirei algumas lições disso tudo, hoje dou mais valor à vida, a minha família, aos pequenos momentos do dia-a-dia e pouco a pouco vou me livrando desse pesadelo que é a DPP.

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